São sempre eles que nos entregam facilmente para um observador mais perspicaz... Eles que não sabem mentir, que não sabem calar. São eles que demonstram os nossos medos, os fantasmas que nos assombram intimamente. Eles que transbordam sentimentos que não mais podemos conter. Pelo menos comigo é assim.
Meus olhos ainda não aprenderam a falsear a verdade, a dissimular, a enganar... Eu sou forte. Eu não choro. Eu não preciso de ninguém. Mas meus olhos pedem ajuda, imploram por compreensão, um ombro amigo, uma mão para secar as lágrimas derramadas no escuro, quando não há ninguém por perto para testemunhar a minha fraqueza.
Minha boca, por outro lado, não é lá tão confiável. Ela sim já aprendeu a dizer coisas sem sentido; palavras bonitas, mas vazias; palavras ásperas, mas indesejadas... Ela já sabe sorrir quando o que eu mais queria na verdade era gritar. Ela fica calada quando eu tinha muito ainda a falar.
Os que me conhecem realmente são aqueles que aprenderam a ler meus olhos e ignorar, em grande parte, as palavras que saem de minha boca. São os que reconhecem em meu olhar os sentimentos que realmente habitam em minh'alma. Com estas poucas pessoas, eu nada preciso falar. Aliás, mesmo que eu tentasse, seria inútil. Eles sabem tudo o que eu penso, quero ou preciso apenas olhando em meus olhos.
É incrivelmente fascinante conhecer alguém tão bem a ponto de lê-lo em seus olhos. É um sentimento raro... E há apenas um meio de experimentá-lo: amando.
PS: Teus olhos invadem minha alma, minha mente e meu coração de um modo inesperado e incontrolável... Que saída me resta a não ser entregar-me?