Verdes olhos... Vós, olhos, não esqueçam das belas paisagens... Verdes e azuis mesclando-se com vermelhos e liláses. Vós, olhos, quando verdes de novo tão ricas imagens, não chorem... Guardem-nas na lembrança, insculpidas em verdes íris. Um dia, o verde estará apenas na retina de quem outrora o contemplava e o mundo será de um melancólico cinza...
Meus olhos não conseguem distinguir onde termina o rio, onde começa o céu... A vista é bela demais, a vida é curta demais e não pode ser desperdiçada com bobagens. Como me preocupar com prazos, recursos e afins quando tenho o mais belo pôr-do-sol, a mais nublada das manhãs, a mais chuvosa tarde, aqui, a dois palmos dos meus olhos? Impossível desviar a atenção e, ainda assim, insisto em olhar para a tela de um computador enquanto digito palavras sem sentido e sem beleza... Mais um vício para a minha coleção.
Vícios... tenho vários. Não esses comuns, que muitos têm. O primeiro vício - amar. Este me acompanha desde a infância. Não consigo me desfazer deste sentimento... Amo, amo ele, amo coisas, amo pessoas... Simplesmente, amo. E acho que para isso não tem tratamento.
O segundo vício - trabalhar. De qualquer jeito. Sou geminiana... Não é o stress e a correria do dia-a-dia que me irritam. É exatamente a falta deles. Tenho que me ocupar, sempre. Só assim posso desfrutar ao máximo os raros momentos de completo ócio...
O terceiro vício - escrever. Sobre esse não preciso dizer absolutamente nada, certo? Aliás, tenho percebido a cada dia que passa como eu prefiro escrever a falar...
E ela se calou. Ainda e mais uma vez, durante infindáveis segundos, calou-se. O silêncio será a sua única companhia. O silêncio e as reticências que cortam o seu caminho. Reticências...