Entry: Devaneios Thursday, May 04, 2006



Verdes olhos... Vós, olhos, não esqueçam das belas paisagens... Verdes e azuis mesclando-se com vermelhos e liláses. Vós, olhos, quando verdes de novo tão ricas imagens, não chorem... Guardem-nas na lembrança, insculpidas em verdes íris. Um dia, o verde estará apenas na retina de quem outrora o contemplava e o mundo será de um melancólico cinza...
 
 
Meus olhos não conseguem distinguir onde termina o rio, onde começa o céu... A vista é bela demais, a vida é curta demais e não pode ser desperdiçada com bobagens. Como me preocupar com prazos, recursos e afins quando tenho o mais belo pôr-do-sol, a mais nublada das manhãs, a mais chuvosa tarde, aqui, a dois palmos dos meus olhos? Impossível desviar a atenção e, ainda assim, insisto em olhar para a tela de um computador enquanto digito palavras sem sentido e sem beleza... Mais um vício para a minha coleção.
 
 
Vícios... tenho vários. Não esses comuns, que muitos têm. O primeiro vício -  amar. Este me acompanha desde a infância. Não consigo me desfazer deste sentimento... Amo, amo ele, amo coisas, amo pessoas... Simplesmente, amo. E acho que para isso não tem tratamento.
O segundo vício - trabalhar. De qualquer jeito. Sou geminiana... Não é o stress e a correria do dia-a-dia que me irritam. É exatamente a falta deles. Tenho que me ocupar, sempre. Só assim posso desfrutar ao máximo os raros momentos de completo ócio...
O terceiro vício - escrever. Sobre esse não preciso dizer absolutamente nada, certo? Aliás, tenho percebido a cada dia que passa como eu prefiro escrever a falar...
 
 
E ela se calou. Ainda e mais uma vez, durante infindáveis segundos, calou-se. O silêncio será a sua única companhia. O silêncio e as reticências que cortam o seu caminho. Reticências...

   1 comments

Clau
May 8, 2006   03:49 PM PDT
 
Adorei, sister... Lindo, singelo, vivo, real, onírico, colorido... Adorei o "verdes olhos"... Isso me remete ao meu passado, minha paixão pelas artes de escrever, pelas cores, pela vida, pelos olhos verdes que tanto me faziam poetizar... Agora sou apenas dores, lembranças e reticências...
Beijos, honey!

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