Entry: Loucos Friday, August 11, 2006



             

 

- Fiquei sabendo que tu és doido. Que tens problemas mentais... É verdade?

- Claro que não. Estás sendo bobo. Sou um homem culto. Eles têm inveja. Acreditas em mim?

- Se estás dizendo...

- Ora, vamos. Posso conversar contigo sobre qualquer assunto... Vamos, pergunta-me o que quiseres! Achas mesmo que sou louco?

- Não, apenas ouvi alguns comentários...

- Comentários? Quais? O que eles te disseram?

- Nada... Bobagens.

- Não, insisto. Dize-me!

- Eu acredito em ti. Mas não posso contar. É perigoso... Eles estão sempre aqui, escondidos, espreitando, vigiando. É perigoso...

- Quem são eles?

- Sabes muito bem.

- Sei, sei muito bem... Acreditas mesmo em mim?

- Claro que sim... Estás aqui conversando comigo. Como poderias ser louco?

- Então preciso que me faças um favor. Fazes?

- O que queres?

- Eles pretendem me matar. Há muito estão tentando. Sinto que estão cada vez mais próximos...

- Sim, dize-me o que queres de uma vez por todas!

- Quero que me ajudes a fingir minha morte.

- Agora estou começando a acreditar que és louco de verdade.

- Não, não... Ouve com calma. Se eles acreditarem que morri, só assim terei um pouco de paz. Vamos, sou um homem rico... Posso te recompensar por tal favor.

- Bem, se é assim que queres... Está certo. Como pretendes fazer isso?

- Ainda não sei... Estou pensando em todos os detalhes. Amanhã continuamos esta conversa.

 

No dia seguinte...

 

- Já decidi como faremos tudo.

- Conta-me então...

- Estás vendo aquele homem? Ali, encostado na parede... Pois então, ele é um deles. Terás que fazer tudo na frente dele. Só assim eles acreditarão que realmente morri...

- E o que diabos terei que fazer?

- Muito simples...

Metendo a mão no bolso, segura um objeto pontiagudo...

- Pegue isso. Guarde com todo cuidado. Terás que enfiar isto em meu coração...

- Mas estás doido? Se eu enfiar isto em teu coração, morrerás em segundos...

- Pensas que sou burro? Quando nasci, os médicos logo notaram um problema em meu coração. Não chega a ser exatamente um problema...

- Como assim?

- Meu coração fica no lado direito do meu peito... Você terá apenas que me ferir no lado esquerdo. Eles acreditarão que o golpe foi fatal...

- E depois? O que acontecerá?

- Tenho muitos amigos importantes. Já está tudo arranjado para a minha fuga... E tu não serás preso. O delegado é um grande amigo meu. Não há motivos para preocupação.

- Quando queres fazer?

- Depois de amanhã.

- Está certo.

 

Dois dias depois...

 

 Os dois sujeitos se esbarram. Imediatamente, um deles puxa um objeto pontiagudo e desfere um golpe brutal sobre o coração do outro. Sem chances de sobrevivência, diria qualquer um que presenciasse a cruel cena.

 

No mesmo dia, à noite...

 

- Ficaste sabendo do que aconteceu na ala 3?

- Sim... O desgraçado quase conseguiu o que queria!

- Do que estás falando?

- O morto! Ele tinha mania de perseguição... Achava que eu queria matá-lo.

- Sim, mas e daí?

- E daí que ele era doido, mas era também muito inteligente...

- Não estou te entendendo.

- Ele convenceu o outro paciente a "fingir" a sua morte, acreditando que assim conseguiria escapar.

- Fingir? Mas ele morreu de verdade, oras!

- Eu sei... Ele só não sabia que o "outro" também tinha um problema...

- Como assim?

- O cérebro dele apresentava características essencialmente femininas. Ele nunca sabia onde ficava a esquerda e a direita...

 

 

** Texto antigo e sem graça, válido apenas como um exercício **

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